segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Saudade

A saudade, a solidão, o vazio deixam as suas marcas, transformam-nos… São como uma morte prolongada e dolorosa. Em cada dia perdemos mais um pedaço de nós. Dizem que nunca ninguém morreu de saudades, mas eu não concordo. Talvez quem diga isto nunca as tenha sentido na pele… e no mínimo se as saudades não matam devoram. Dia após dia devoram mais um bocado do nosso Eu, até uma certa altura em que não resta mais nada. Ficamos secos, vazios. Isto é viver?
As saudades transformam-nos em fantasmas. Andamos, comemos, dormimos… mas por dentro estamos ocos, vazios. Isto não é viver. As saudades matam sim!

Vejo o meu reflexo no espelho e não me reconheço. Perscruto o meu íntimo, procuro alguma partícula de quem fui mas não encontro. Tento recordar-me de como era. Imploro por algo que me salve, por algo que me encha o peito de esperança. Algo… Alguém… Alguém que me dê a mão e me mostre quem fui.
Agora não sou mais Eu. Perdi-me nas minhas lamentações, nos meus sonhos impossíveis...
Acho que não resta mais nada, fui consumida pelas saudades.

Menina da Rádio \m/

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